"Esta equipa tem muito valor"

Álvaro Mendonça, treinador do Vilanovense em 2001/2002
 

por: Mateus Rocha (Coordenador desportivo do Diário-Insular)
 
 
 
SCV: Pode-se dizer que a conquista do Campeonato da Ilha Terceira acabou por ser um desfecho natural, atendendo a que o Vilanovense era apontado pela generalidade da crítica, e não só, como o principal candidato ao ceptro máximo do futebol local?
ÁLVARO MENDONÇA (AM):
Julgo que sim. Sempre assumi publicamente que o Vilanovense era o grande candidato à conquista do título e, felizmente, não me enganei. Claro que tínhamos a perfeita consciência de que equipas como o Juventude Lajense, Marítimos de São Mateus, Barreiro e “Os Leões”, também dispunham de argumentos muito válidos.
No entanto, penso que não restam grandes dúvidas de que fomos a formação mais regular e competitiva, daí que o primeiro lugar não ofereça discussão. Fizemos por merecer a vitória.

SCV: Pese o favoritismo que era concedido ao Vilanovense, a verdade é que “Os Leões” acabou por se tornar num rival extremamente digno e complicado. Chegou a temer que o título fugisse para o Porto Judeu?
AM:
Reconheço que “Os Leões” foi a grande surpresa da prova. Trata-se de uma equipa recheada de bons valores e muito bem orientada. Como tal, lutou pelo primeiro lugar até ao jogo da Vila Nova, indo mesmo muito para além das minhas expectativas. Confesso que, à partida, temia mais o Juventude Lajense, mas, por mérito próprio, “Os Leões” tornou-se no nosso principal rival. Parabéns por isso.

SCV: Embora ninguém discuta a superioridade do Vilanovense, a verdade é que a prova ficou marcada por algumas situações polémicas. Como treinador da equipa vencedora, que análise é que faz a tudo o que se passou, tanto dentro como fora dos campos?
AM:
Creio que, neste momento, o mais importante é realçar que tivemos um campeonato extremamente competitivo e onde o público marcou presença em grande número. Assistiram-se a jogos com muita qualidade, o que demonstra o valor inequívoco dos atletas e dos treinadores. Quem saiu dignificado com tudo isto foi o futebol regional terceirense. Aquilo que de menos bom aconteceu, faz parte do passado e há sim que valorizar as coisas positivas. De qualquer modo, tudo o que de menos agradável aconteceu não belisca minimamente a justiça do nosso êxito. Vencemos porque fomos, de facto, a equipa mais capaz sob todos os aspectos.


SCV: A equipa está preparada para discutir, com os campeões das ilhas da Graciosa (Sporting de Guadalupe) e de São Jorge (Desportivo Velense), o regresso à Série – Açores?
AM:
Para já, somos um dos três favoritos à conquista do título de campeão da AFAH. No entanto, estamos cientes de que só um poderá vencer. Da nossa parte, o que posso prometer é que tudo iremos fazer para que sejamos os mais fortes. Aliás, se o Vilanovense conseguir jogar à imagem do treinador Álvaro Mendonça e explanar todo o seu potencial, pode perfeitamente superar tanto o Sporting de Guadalupe como o Desportivo Velense, embora estejamos a falar de adversários com muito valor e com legítimas ambições. Resta-nos aguardar serenamente e com confiança pelo desenrolar do torneio.

SCV: No apuramento do Campeão da AFAH, o Vilanovense joga fora na primeira volta e em casa na segunda. Em termos meramente teóricos, pode-se afirmar que este calendário é vantajoso?
AM:
Admito que o calendário nos é favorável. Se conseguirmos, como espero, pontuar fora de portas, ficaremos numa situação privilegiada para resolver as coisas na Vila Nova, onde nunca perdemos esta época. A equipa está preparada psicologicamente para isso e acredito que podemos dar mais esta alegria à dedicada massa associativa do clube. Vamos continuar a trabalhar com o mesmo empenho e dedicação, procurando, domingo a domingo, exteriorizar as enormes potencialidades deste grupo de trabalho.
 
* Publicado no Diário-Insular, em 18 Março  de 2002