"Alvi-negros por dentro, vermelhos por fora"

Vitória, Francisco, Márcio e Victor, antigos atletas do Vilanovense

por: Paulo Mendonça

 

José Vitória, Francisco Fagundes, Márcio Fagundes e Victor Mendonça, todos oriundos do Vilanovense, procuram a almejada glória no Angrense. Cresceram e jogaram juntos no Sport Clube Vilanovense. Hoje, novamente juntos, tentam ajudar o Sport Clube Angrense a triunfar. Francisco, Márcio, Vitória e Victor são quatro jovens oriundos da freguesia da Vila Nova, que o futebol separou quando o Vilanovense desceu aos regionais no final da época 2000/2001. Agora, passados três anos, voltam a jogar juntos, desta feita no Angrense. Os quatro ambicionam regressar um dia à casa que os lançou para o futebol, mas, por enquanto, desejam marcar o seu nome na história do futebol açoriano. Fomos conhecer melhor estes quatro atletas, que, para além de estarem unidos em prol das cores do Angrense, possuem também uma enorme amizade fora dos relvados desde a infância.


Victória

 

José Carlos Vieira Vitória, mais conhecido pelos amantes do futebol simplesmente como Vitória, nome que herdou futebolisticamente do pai (antiga glória do Sport Clube Vilanovense), foi o primeiro a abandonar a equipa sénior do emblema do Ramo Grande, com idade ainda de júnior “A”, para representar a equipa sénior do Sport Clube Lusitânia, que actuava, na altura, na Segunda Divisão B - Zona Sul. Vitória, que fez toda a sua formação como jogador de futebol nas camadas jovens do SCV, representou as cores alvi-negras até aos 17 anos. Foi seleccionado pela AFAH desde os sub-13 até aos sub-17 para defender o emblema da Ilha Terceira, tendo inclusive chegado a representar a selecção dos Açores no escalão de sub-14, em Lisboa, no torneio Lopes da Silva. Depois de uma passagem de dois anos pelo Lusitânia, regressa por empréstimo ao SCV, em Dezembro de 1999, para tentar ajudar o clube a alcançar a manutenção na Série Açores. Na época 2001/2002 assina pelo Sport Clube Angrense, clube onde permanece até hoje, e tornou-se numa das pedras bases da equipa. Fique a saber mais um pouco sobre a carreira deste jovem futebolista de apenas 24 anos.

SCV:Faça-nos um resumo do seu percurso como futebolista até ao momento.
VITÓRIA (V): Acho que o meu percurso no futebol açoriano até ao momento pode ser considerado como positivo. Já venci inúmeras provas, quer no Vilanovense, quer no Lusitânia, e também ajudei o Angrense por três vezes na conquista da manutenção na Série Açores. O facto de na época 2000/2001 não ter conseguido ajudar o Vilanovense na luta contra a despromoção aos regionais, é algo que me marca bastante pela negativa.

SCV: Está há algum tempo longe do SCV. O clube ainda representa alguma coisa para si?
V: Claro que sim. O Vilanovense é, e sempre será, o clube do meu coração. Foi no Vilanovense que aprendi a jogar futebol e fiz grandes amizades que ainda perduram nos dias de hoje. Ninguém sabe o dia de amanhã e, apesar de me sentir como em casa no Angrense, gostava de voltar um dia a representar as cores alvi-negras.

SCV: E do tempo que passou no Lusitânia, traz boas ou más recordações consigo?

V: Ambas. Mas, como é evidente, são mais as boas do que as más. Fui para o Lusitânia com apenas 17 anos, para representar aquela instituição na Segunda Divisão - Zona Sul. No início da época comecei por alinhar na equipa titular, mas após algumas jornadas perdi esse posto, e comecei a representar a equipa dos Juniores “A”, onde chegámos a ser campeões da AFAH. Continuava durante a semana a treinar com a equipa sénior e, quando não era convocado, jogava pelos juniores, o que era bom para conseguir ganhar ritmo competitivo. Neste clube joguei ao lado de grandes jogadores como o Moisés, o Cordeiro, o Álvaro e muitos outros nomes sonantes do futebol açoriano. Todos eles sempre me apoiaram e incentivaram muito enquanto representei o Lusitânia.

SCV: Quando saiu do Lusitânia, por empréstimo, para o Vilanovense, a meio da época 1999/2000, sente que foi um passo atrás na sua carreira?
V: Não, antes pelo contrário. Sinto que foi uma aposta ganha, porque no Lusitânia não era primeira opção do treinador, o que eu até compreendia em virtude dos nomes de grande craveira técnica que lá andavam. Vim para o SCV para ajudar o clube a conseguir a manutenção e ganhar mais experiência a nível pessoal. O regresso à Vila Nova foi uma opção minha, porque a direcção e equipa técnica queriam que eu continuasse.

SCV: Qual o treinador que mais o marcou ao longo da sua carreira?

V: Não foi apenas um. Tive vários treinadores, e com todos eles gostei de trabalhar, desde o meu pai, que foi o meu primeiro treinador nos infantis, até ao Álvaro Mendonça, que me lançou na equipa sénior do SCV, passando pelos outros treinadores que tive nas camadas jovens do clube. Todos me ensinaram muito. O José Carlos Santos também é um treinador pelo qual tenho um carinho muito especial, porque ele quis sempre que eu fosse um atleta do seu plantel. Desde os tempos em que ele orientava o Praiense, já queria que eu fosse para lá. Coentro Faria, Zeca Araújo e, principalmente, o Paulo Henrique Alves também foram treinadores muito importantes na minha carreira.

SCV: Já vai para a quarta época ao serviço do Angrense. Qual é a imagem que tem do clube?
V: Considero o Angrense como um grande clube açoriano. É um clube honesto que possui uma direcção que, através da sua humildade, tenta sempre o melhor para o Angrense. Desde o senhor José Bendito ao seu filho Miguel, e outros directores, no Angrense sempre fui apoiado como se fosse um filho da casa.

SCV: Quais são as suas perspectivas desportivas para o futuro?

V: Apenas espero continuar a dar o mesmo contributo em todas as equipas que representar. Adoro jogar futebol. Por isso, enquanto me sentir motivado e com alegria para praticar a modalidade, jogarei sempre primeiro para o melhor do clube que represento, porque sei que posso também tirar dividendos a nível pessoal desse facto.

SCV: Quer deixar alguma mensagem aos jovens vilanovenses e aos amantes da modalidade em geral?
V: Gostaria apenas de dizer a todos os jovens vilanovenses, e não só, que em vez de optarem pelas drogas, pelo álcool ou tabagismo, existe um desporto chamado futebol que, se for praticado com alegria e muita vontade, pode ajudar-nos a conseguir um futuro financeiramente melhor, mas principalmente ajuda-nos a ser um ser humano melhor.


Francisco

 

Francisco Fagundes foi o segundo a abandonar a equipa sénior do Sport Clube Vilanovense para ir representar o Sport Clube Angrense. Este jovem de 23 anos, que um dia chegou a ter a alcunha de “Jardel”, é considerado por muitos como um verdadeiro “matador”. Iniciou-se na prática da modalidade nos infantis do SCV, clube no qual permaneceu até aos 21 anos, tendo no seu currículo a vitoria no Campeonato da Ilha Terceira e da AFAH, e o consecutivo apuramento para a Série Açores, na época 1997/1998. Foi convocado pela AFAH no escalão de sub-16, para representar o seleccionado da Ilha Terceira, tendo-se sagrado campeão açoriano nesse escalão. Este jovem avançado que apenas conheceu duas equipas, o Vilanovense em primeiro, e o Angrense, equipa que representa vai já para a quarta época, pretende, através dos seus golos, continuar a dar pontos à equipa encarnada para que esta consiga continuar na ribalta do futebol ilhéu. Conheça melhor mais este jogador do viveiro alvi-negro.

SCV: Como avalia a sua carreira desportiva até agora?
FRANCISCO (F): Sinto que tenho tido uma carreira progressiva. Comecei nos infantis do SCV, cheguei a ser campeão açoriano em sub-16 pela ilha Terceira e na famosa época de 1997/1998, com a idade de Júnior “A”, fiz parte da equipa do SCV que, para além de ser campeão da Terceira, conseguiu o apuramento para a III Divisão Série Açores. No Angrense, também estou contente com a minha prestação, porque tenho conseguido ajudar o clube a alcançar os seus objectivos.

SCV: Para si, Sport Clube Vilanovense significa…
F: O Vilanovense tem um significado muito especial para mim. Foi no Vilanovense que marquei os meus primeiros golos, venci os meus primeiros troféus, e fiz alguns dos meus melhores amigos. O Vilanovense é um grande clube, que na minha opinião tem condições para estar na Série Açores. Foi neste clube que, na minha segunda época na Série Açores, realizei uma das melhores épocas de sempre, ao apontar 14 golos. Gostaria de um dia regressar a esta casa, e retribuir com golos o facto de me ter proporcionado alguns dos melhores momentos da minha vida.

SCV: Chegou a ser conhecido nos tempos que jogava no Vilanovense como “Jardel”. Porquê essa alcunha?

F: É verdade que muita gente me chamava de Jardel. O Mário Jardel, na altura, era um avançado que marcava muitos golos e era também conhecido pelo seu fantástico sentido de oportunidade. Como eu também desde as camadas jovens do SCV que já era um jogador alto, e como marcava muitos golos, alguns colegas começaram a chamar-me Jardel. Apesar de ainda muitas pessoas me chamarem por essa alcunha, prefiro ser reconhecido no futebol como Francisco Fagundes.

SCV: Qual o treinador que mais o marcou ao longo da sua carreira?
F: Nas camadas jovens do Vilanovense aprendi muito ao trabalhar com o João Somaca, com o Paulo Meneses e com outros. A nível do escalão dos seniores, o Álvaro Mendonça, o José Carlos Santos e o Paulo Henrique Alves foram treinadores que conheci, e com todos eles, na sua maneira de ser e treinar, aprendi muito. Por isso, não consigo distinguir qual foi o que mais me marcou, porque todos eles foram importantes para a minha carreira.

SCV: Já foi defesa central, ponta de lança, extremo direito, e até guarda-redes nos infantis do Vilanovense. Qual é a posição em que gosta mais de jogar? E qual foi o golo ou jogo que mais o marcou na sua carreira?

F: Sem qualquer dúvida que a posição que mais prefiro jogar é a de ponta de lança. Apesar de gostar mais de jogar lá na frente, não me importo de alinhar noutra qualquer posição que o treinador entenda, porque se ele entender que rendo mais como extremo ou noutra posição, darei sempre o meu máximo, nem que seja novamente a guarda-redes (risos). Já marquei vários golos ao longo da minha carreira, e recordo-me de quase todos eles como se fosse hoje. Recordo, com alguma saudade, o meu primeiro jogo a titular, com a idade ainda de júnior “A”, na equipa sénior do SCV, que na altura era treinada pelo Álvaro Mendonça, em que fiz logo um “hat-trick” contra o União Praiense.

SCV: A par do Vitória, também já vai para a sua quarta época no Sport Clube Angrense. O que representa este clube para si?

F: O Angrense é, acima de tudo, um clube que sabe estar no futebol açoriano. É uma entidade que sabe dar a volta por cima, quando, por vezes, as coisas não acontecem como se esperava. Destes três anos que passei no Angrense, apenas tenho boas imagens do clube, desde equipa técnica, direcção (em especial a família Bendito), massagistas e roupeiro, pois todos sempre me apoiaram.

SCV: Quais são as suas perspectivas desportivas para o futuro?

F: Continuar a trabalhar com a mesma dedicação e empenho que trabalhei até hoje, e esperar que tudo o que vier de bom para o meu futuro, após esse esforço, seja o fruto do meu desempenho nos clubes.

SCV: Quer deixar alguma mensagem aos jovens vilanovenses e aos amantes da modalidade em geral?
F: Gostaria de pedir aos jovens vilanovenses que se empenhassem ao máximo para que o clube volte a lançar novos valores, porque eles também poderão tirar partido do sucesso do clube. Quanto aos amantes da modalidade, gostaria de pedir que apoiassem os seus clubes, quer nas horas boas, quer nas más, porque nem sempre as coisas nos correm como pretendemos.


Márcio



Márcio Fagundes, que começou a dar os primeiros pontapés numa bola de futebol nos infantis do Sport Clube Vilanovense, foi o terceiro a abandonar a equipa sénior do clube para ir representar o Sport Clube Angrense. Dos quatro, Márcio foi o único que não saltou directamente do Juniores “B” do SCV para o plantel sénior. Foi emprestado ao Juventude Lajense na sua primeira época de Júnior “A”, equipa na qual revelou alguma inadaptação e até pensou em abandonar o futebol. Na sua segunda época de Júnior “A”, foi emprestado ao Lusitânia, onde se sagrou campeão da Ilha Terceira de Juniores “A”. Na época 1999/2000 regressa ao SCV, que na altura militava na Série Açores. Permaneceu na Vila Nova até 2001/2002, época em que foi campeão da ilha Terceira, vencedor da Taça ilha Terceira e da Taça AFAH. Na época seguinte regressa à cidade de Angra do Heroísmo, desta vez para alinhar pela equipa sénior do Angrense, clube que representa até aos dias de hoje. Fique a conhecer um pouco melhor este jovem de 23 anos de idade, natural da Vila Nova.

SCV: Que análise faz sobre a sua carreira desportiva até ao momento?
Márcio (M): Sinto que as coisas me correram bem ao longo da minha carreira. Comecei a praticar a modalidade no Vilanovense com apenas 8 anos, equipa pela qual fui campeão da Ilha Terceira, venci a Taça AFAH e participei em duas épocas consecutivas na III Divisão - Série Açores. Passei também pelas equipas do Lusitânia e Lajense em Juniores “A”, tendo, inclusive, disputado o apuramento de campeão açoriano ao serviço do Lusitânia, título que acabámos por não conseguir vencer. Hoje, com 23 anos, represento o Angrense, uma equipa com bastantes créditos firmados no futebol açoriano. Pelo meu passado, sinto que, fazendo um resumo da minha carreira desportiva até ao momento, tem sido sempre em ascensão.

SCV: Presumo que também possua boas recordações do Sport Clube Vilanovense.
M: Muito boas mesmo. O Vilanovense foi um clube muito importante para a minha carreira desportiva, porque foi lá que despontei para o futebol. É um clube humilde que penso que qualquer atleta gostaria de jogar. Sei que tenho a porta do SCV sempre aberta para um dia mais tarde regressar.


SCV: Qual o treinador que mais o marcou ao longo da sua carreira?

M: Já jogo futebol a nível associativo há cerca de 15 anos, e já trabalhei com vários treinadores, desde os escalões de formação do Vilanovense até aqui no Angrense, e com todos eles aprendi muitas coisas positivas. Prefiro não destacar nenhum nome, pois todos me marcaram e correria o risco de esquecer alguém.

SCV: Chegou a jogar na equipa sénior do SCV em conjunto com os seus dois irmãos, o Paulo Adriano (actualmente no Boavista) e o Mário João (actualmente no Vilanovense). Sentiu alguma contestação por parte da massa associativa do clube relativamente a esse facto?
M: Pelo menos da minha parte não senti qualquer contestação. Até pelo contrário, eu e os meus irmãos sempre fomos muito apoiados pelos nossos colegas, como também pela massa associativa do Vilanovense. Na altura em que a minha carreira como sénior estava no início, o facto de ir jogar numa equipa como o Vilanovense em conjunto com dois irmãos mais velhos, foi bastante benéfico para mim, porque eles sempre me ajudaram numa fácil integração no grupo. Mais complicado é jogar contra eles.


SCV: Quais as maiores recordações desportivas que guarda da sua carreira?

M: A melhor recordação foi quando, na minha última época no Vilanovense, vencemos tudo o que havia para vencer, com excepção do apuramento à Série Açores. Lembro-me também de já ao serviço do Angrense, num jogo contra o Velense, ter feito dois golos de belo efeito, em que vencemos por 3-0. Pela negativa recordo a descida do Vilanovense aos regionais e também uma lesão com recuperação longa que tive ao serviço do mesmo clube.

SCV: O que pensa do Sport Clube Angrense?
M: É um clube que gosto muito de representar, composto por pessoas honestas e trabalhadoras. É um clube que nunca me faltou com nada, porque a sua direcção sempre se preocupou em dar aos jogadores aquilo que tinha e, por vezes, aquilo que não tinha. Espero que o Angrense continue assim, por muitos e bons longos anos.

SCV: Quais são as suas perspectivas desportivas para o futuro?

M: Apesar de ser ainda um jovem, e querer ir sempre o mais além possível, considero que é difícil para o jogador açoriano chegar mais longe no futebol, devido à insularidade. Hoje em dia a vida de um jogador de futebol não é fácil. Um atleta que não tenha empresário, dificilmente passará acima de uma Segunda Divisão “B”. Mas se o meu futuro desportivo for continuar a representar o Angrense, já é muito bom.

SCV: Quer deixar alguma mensagem aos jovens vilanovenses e aos amantes da modalidade em geral?

M: O Vilanovense foi uma das grandes escolas de futebol aqui na ilha Terceira, e até mesmo nos Açores. Espero que o clube volte a conseguir formar novos jogadores com qualidade para que, num futuro próximo, regresse à Série Açores. Para isso, é necessário que a juventude da Vila Nova mostre entusiasmo e força de vontade em ajudar o clube, porque estarão a ajudar-se a si mesmos. Quanto aos adeptos, só espero que apareçam para apoiar os seus clubes, respeitando os atletas, treinadores, adversários e árbitros, porque todos eles tentam fazer o seu melhor.


Victor


Victor Mendonça começou a praticar futebol com apenas 8 anos nos infantis do Sport Clube Vilanovense, clube onde permaneceu de forma consecutiva durante onze épocas. Fez a sua estreia no futebol sénior com a camisola do Vilanovense com apenas 16 anos de idade, pela mão de José Carlos Santos, técnico do Vilanovense na III Divisão Série Açores, em 1999/2000. Victor também representou as selecções da AFAH em todos os escalões, desde os sub-13 até aos sub-17, tendo, inclusive, sagrado-se campeão açoriano de sub-13 na época 96/97, na ilha do Pico. No SCV, com a idade ainda de júnior “A”, e orientado pelo pai, Álvaro Mendonça, foi campeão da ilha Terceira de seniores, venceu a Taça ilha Terceira e a Taça AFAH em 2001/2002. Na época seguinte, com 19 anos de idade, ingressa no plantel principal do Sport Clube Praiense, onde permaneceu durante duas épocas. Victor Mendonça, agora com 21 anos de idade, apesar do seu sportinguismo, vai andar de águia ao peito e tentar ajudar a equipa sénior do Sport Clube Angrense a conseguir os seus objectivos. Fomos conhecer melhor mais este jovem formado na escola alvi-negra.
 

SCV: Qual é o balanço que faz da sua carreira até este momento?
Victor (V): O balanço que faço da minha ainda curta carreira é positivo, porque nos clubes onde tenho passado eu e os meus colegas conseguimos quase sempre atingir os objectivos a que nos propomos no início de cada época. Mas a nível pessoal podia ter sido um pouco melhor, porque infelizmente para os jovens com valor, aqui na Região, torna-se complicado atingir patamares mais elevados do que a Série Açores.

SCV: O que significa o Sport Clube Vilanovense para si?
V: O Vilanovense significa muito para mim, porque foi naquele clube que eu cresci, quer como jogador, quer como homem. Foi lá que dei os meus primeiros pontapés numa bola de futebol. Por isso, e muito mais, espero um dia mais tarde voltar a vestir a camisola do SCV e retribuir, da maneira que sei e posso, tudo aquilo que de bom que este clube me proporcionou.

SCV: Trabalhar com o próprio pai (Álvaro Mendonça) como treinador foi benéfico ou prejudicial para a sua ainda curta carreira?

V: Vejo esta questão sob dois prismas. Se, por um lado, ele era o primeiro a rectificar-me quando eu agia mal dentro do campo, também era o primeiro a felicitar-me quando as coisas me corriam bem. Se costumam dizer que o treinador é como o pai de uma grande família, neste caso o meu pai desempenhou esse papel de forma perfeita, mas nunca me tratou melhor nem pior do que a qualquer colega meu. Mas pelo facto de o treinador ser o meu pai e para que nenhum colega sentisse ciúmes, nem que os sócios do clube criticassem o meu valor, sentia-me no dever de trabalhar o dobro para justificar a titularidade domingo após domingo. Em jeito de brincadeira, até acho que foi mais difícil para ele ser meu treinador do que para mim ser jogador dele.


SCV: Presumo então que foi o seu pai o treinador que mais o marcou até ao momento?

V: Apesar da minha juventude, já trabalhei com vários técnicos, desde o Armindo, o Paulo Meneses, o Hélio, o Celestino Ribeiro, entre tantos outros, cujo nome não me recordo agora, e com todos eles aprendi coisas boas, e até, com alguns, coisas menos boas. O José Carlos Santos é um treinador que me marca muito, porque foi ele quem me lançou, com apenas 16 anos, para a alta-roda do futebol açoriano. Mas como é óbvio, e pelas razões anteriormente apontadas, o meu pai foi o treinador que mais me marcou.

SCV: É público que não terminou a época transacta ao serviço do Sport Clube Praiense. O que é que sucedeu?

V: Não concluí a época passada no Praiense por motivos extra-futebol. Motivos estes que tanto o treinador como o presidente não compreenderam, nem se preocuparam em compreender. Todavia, passei quase dois anos fantásticos no Praiense, com um grupo de colegas extraordinário.

SCV: Com os seus 21 anos e com uma longa carreira pela frente, quais são os objectivos desportivos que persegue para o futuro?
V: Desde pequeno que sonhava ter a possibilidade de ser profissional de futebol. Porém, como a oportunidade nunca surgiu, o que, como referi anteriormente, nos Açores é um pouco complicado, o meu objectivo passa, então, por dar o melhor pela equipa que represento e trabalhar como se fosse um profissional em prol da instituição que defendo. Neste caso, represento as cores do Angrense, por isso vou fazer tudo o que sei e posso para ajudar o clube a conseguir alcançar os seus objectivos.

SCV: Quer deixar alguma mensagem aos jovens vilanovenses e aos amantes da modalidade em geral?

V: Sugeria a todos os jovens que gostam de futebol que pratiquem a modalidade com prazer, porque vale sempre a pena jogar futebol quando se gosta. Quanto aos adeptos da modalidade, gostaria de lhes pedir que voltassem a encher os campos desta ilha, porque eles também fazem parte do espectáculo.
 



* Públicado no Diário-Insular, em 6 Setembro de 2004