Álvaro
Oliveira, nascido na Vila Nova, 30 anos de idade, vai para o
terceiro mandato como timoneiro máximo do emblema do Ramo
Grande. Rodeado por um elenco jovem, quer na direcção, quer na
equipa de futebol, não é homem de promessas, mas revela grande
ambição para o futuro alvi-negro.
SCV: Qual
o balanço que faz ao trabalho que desenvolveu como presidente
do Sport Clube Vilanovense (SCV) nas últimas duas temporadas?
Álvaro Oliveira (AO):
Analisando os dois anos de
presidência, penso que o trabalho é bastante positivo, embora
reconheça que no aspecto desportivo podia ter sido bastante
melhor. Mesmo assim, no meu primeiro ano de direcção,
conseguimos vencer tudo, excepto o acesso à Série Açores.
Infelizmente, na época passada isto não foi possível de
concretizar. No entanto, quem está numa posição idêntica à
minha, sabe que nem todas as pessoas estão contentes com o
nosso trabalho, mas sinto o orgulho do dever cumprido.
“ Não serei eterno”
SCV: Por que razão decidiu continuar à frente dos destinos do
clube, sabendo de antemão que havia a existência de outra
lista com o mesmo propósito?
AO: Quando entrámos para a direcção do Vilanovense, eu e
os meus colegas, era nossa intenção completar apenas um ano de
mandato. O futebol é uma coisa difícil, muito trabalhosa e é
necessário olharmos para a vida profissional e familiar de
cada um de nós. Na realidade, dou muito valor aquelas pessoas
que conseguem estar muitos anos à frente dos clubes.
Completámos dois anos, que penso terem sido bons, e há que
aparecer gente nova para dar continuidade ao trabalho. Fico
mais um mandato à frente dos destinos do SCV com a mesma
vontade e orgulho das últimas épocas. Esta direcção possui a
espinha dorsal da anterior, mas tentámos incutir sangue novo,
com muita juventude na casa dos 20 anos a integrar a nossa
direcção. Estou bastante satisfeito e com a convicção de que
faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para bem do clube.
Penso que estamos a criar bases suficientemente sólidas para
que o SCV saiba escolher os caminhos certos para caminhar.
SCV: Fazendo uma ligeira retrospectiva de todos estes anos,
qual foi a maior alegria que viveu, entre as muitas que
certamente conheceu, enquanto dirigente do clube?
AO: Claro que guardo na memória todos os momentos bons. No
entanto, as maiores alegrias estão sempre relacionadas com
aquilo que fazemos ao longo da época. Ou seja, quando chegamos
ao fim do ano e vemos que realmente o nosso trabalho foi bom.
Neste contexto, o meu primeiro ano de presidência do SCV foi
fantástico e inesquecível. Ser campeão é uma forma de
realização não só para o clube, mas também para todo o grupo
de trabalho. É o corolário de muitos meses de sacrifício e
dedicação a uma causa.
Mas, em contrapartida, foi muito frustrante não termos
conseguido vencer o Desportivo Velense e assim desperdiçar o
regresso à Série Açores.
SCV: Sendo você um dos mais jovens presidentes de clubes da
região, e tendo a seu lado uma direcção em que a média de
idades ronda os 23/24 anos, podemos afirmar que o futuro da
colectividade está assegurado?
AO: Quanto a ser um dos mais jovens presidentes de clubes,
acho que quando existe vontade e gosto pela causa, a idade não
conta. Realmente é bom para o clube e para a freguesia este
sangue novo na minha direcção, porque é preciso pessoas com
ideias novas e uma mentalidade diferente daquela a que o clube
está habituado. Era preciso eliminar certos vícios. Mas como
não sou nenhum “Pinto da Costa”, logo não sou eterno, e sei
que existem muitas pessoas na freguesia com as mesmas
capacidades para gerir o SCV.
SCV: Com as novas infra-estruturas, a única modalidade que
o clube aposta volta a ser, simplesmente, o futebol?
AO: O futebol é a imagem de marca da colectividade e, como
em todas as modalidades, é preciso trabalho, porque formar uma
ou outra equipa para certas modalidades até é fácil, o mais
difícil é sustentá-la. Porém, temos um projecto para a
formação de outra modalidade já esta época, mas prefiro não o
revelar porque ainda não há certezas.
“Juventude poderá dar frutos”
SCV: Falando da época que se avizinha, quais são os
objectivos, em termos do departamento de futebol sénior, para
2003/2004?
AO: O objectivo é sempre o mesmo: fazer o melhor possível.
E esse melhor passa, claro, por uma época melhor que a do ano
passado. A nossa aposta este ano também passa por criar bases
para o futuro. Neste sentido, apostámos mais numa equipa jovem
e formada à base de ex-juniores, para além de alguns atletas
experientes que já integravam o plantel. Agora, esperamos que
os resultados correspondam às nossas expectativas.
SCV: Está neste plantel a base para atacar uma eventual
subida de divisão a curto/médio prazo? Fala-se mesmo que o
Vilanovense pode ser um outsider já na época que se avizinha.
AO: Sinceramente, penso que com este plantel temos
garantias para o futuro a médio prazo, porque possuímos uma
equipa muito jovem, mas com uma mentalidade vencedora,
atendendo a que a maior parte dos jovens adquiridos provém do
Recreativo da Agualva e S. C. Praiense, equipas vencedoras de
títulos em juniores “A” nas últimas épocas. Com um plantel
bastante jovem, e muitos jogadores a terem a sua primeira
oportunidade como sénior esta temporada, não podemos exigir
demasiado, porque a inexperiência poderá jogar contra os
atletas.
SCV: O SCV, a nível da formação, é, sem dúvida, um dos
melhores viveiros do futebolistas nos Açores, casos de Álvaro,
José Carlos, Serafim, Pimentel, e tantos outros. Mais
recentemente, a nova geração oferece-nos nomes como, por
exemplo, Vitória, Dário, Vítor, Márcio Fagundes e Francisco.
Esta época o clube aposta nas camadas jovens?
AO: Esta época, para além da equipa sénior, o SCV formará
uma equipa de juniores “C”, porque o futebol é um dom das
“gentes da Vila Nova”. O que é preciso é saber explorar este
dom. Para isso, contamos com um técnico ambicioso, cujo nome
ainda não posso revelar, e com vontade de formar novos
“Álvaros” , “Serafins”, etc. Quem sabe, até um novo “Picanço”.
Mas para isso há que contar com a colaboração dos pais, porque
não é o futebol que faz com que os filhos chumbem o ano, antes
pelo contrário, tira muita juventude da droga e dos malefícios
da nossa sociedade.
“Era preciso uma nova mentalidade”
SCV: Voltando ao futebol sénior. Quais as razões para a sua
direcção decidir apostar no treinador Joaquim de Jesus (Quim)?
AO: A principal razão para a aposta no Quim, é o facto de
ser um técnico que se enquadra perfeitamente no perfil que eu
e a minha direcção idealizamos para ser o timoneiro da equipa
sénior do SCV. O facto de ser um treinador jovem, ambicioso,
com conhecimento do futebol jovem, e com créditos firmados no
futebol terceirense, também pesou na nossa decisão. Enfim, só
o futuro nos dirá se o Quim é, ou não, uma aposta ganha, mas,
na minha opinião, penso que podemos tirar muitos dividendos
dos serviços deste técnico.
A saída de Álvaro Mendonça - "Equipa estava viciada"
SCV: Álvaro Mendonça é um treinador ligado à história do SCV.
As razões para a sua saída, já perto do fim da época
transacta, nunca foram explicadas. Não quer revelar os seus
argumentos?
AO: Na minha opinião, o Álvaro Mendonça é um bom
treinador, mas a equipa da época passada já estava “viciada” e
era preciso eliminar certos vícios. Como tal, a direcção, que
não sou só eu, chegou a acordo com o Álvaro Mendonça para a
rescisão amigável. Como o nosso lema para esta época passa
pela aposta na juventude, decidimos também incutir uma
mentalidade diferente nos atletas do SCV. No entanto, essa
aposta não passava por Álvaro Mendonça que, torno a frisar, é
um dos bons técnicos terceirenses.
SCV: Em jeito de despedida, que mensagem quer deixar aos
adeptos e simpatizantes do Sport Clube Vilanovense em
particular e aos amantes do futebol de uma forma geral?
AO: O apelo que gostava de enviar à massa associativa do
Vilanovense, vai no sentido de não deixar de apoiar a equipa e
o próprio clube. Desde há algum tempo a esta parte que temos
vindo a fazer um grande esforço para manter este clube com as
portas abertas. Felizmente, a partir de agora, o SCV possui
infra-estruturas excelentes e penso que os sócios têm a
possibilidade de estar mais perto da equipa. Inclusive, creio
que será mais fácil encontrar direcção para os próximos anos.
O que peço é que as pessoas não deixem de nos ajudar e que
apareçam nos campos para apoiar a nossa equipa, quer nas
vitórias, quer nas derrotas. Estejam connosco neste trabalho,
pois julgo que o mesmo é válido e que dentro de algum tempo
produzirá os seus frutos.
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Públicado no Diário-Insular, em 8 Setembro de 2003
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