"Ambição e juventude no novo Vilanovense"

Álvaro Oliveira, presidente da direcção do Vilanovense em 2003/2004
 

por: Paulo Mendonça
 
Álvaro Oliveira, nascido na Vila Nova, 30 anos de idade, vai para o terceiro mandato como timoneiro máximo do emblema do Ramo Grande. Rodeado por um elenco jovem, quer na direcção, quer na equipa de futebol, não é homem de promessas, mas revela grande ambição para o futuro alvi-negro.
 
SCV: Qual o balanço que faz ao trabalho que desenvolveu como presidente do Sport Clube Vilanovense (SCV) nas últimas duas temporadas?
Álvaro Oliveira (AO):
Analisando os dois anos de presidência, penso que o trabalho é bastante positivo, embora reconheça que no aspecto desportivo podia ter sido bastante melhor. Mesmo assim, no meu primeiro ano de direcção, conseguimos vencer tudo, excepto o acesso à Série Açores. Infelizmente, na época passada isto não foi possível de concretizar. No entanto, quem está numa posição idêntica à minha, sabe que nem todas as pessoas estão contentes com o nosso trabalho, mas sinto o orgulho do dever cumprido.

“ Não serei eterno”

SCV: Por que razão decidiu continuar à frente dos destinos do clube, sabendo de antemão que havia a existência de outra lista com o mesmo propósito?
AO:
Quando entrámos para a direcção do Vilanovense, eu e os meus colegas, era nossa intenção completar apenas um ano de mandato. O futebol é uma coisa difícil, muito trabalhosa e é necessário olharmos para a vida profissional e familiar de cada um de nós. Na realidade, dou muito valor aquelas pessoas que conseguem estar muitos anos à frente dos clubes. Completámos dois anos, que penso terem sido bons, e há que aparecer gente nova para dar continuidade ao trabalho. Fico mais um mandato à frente dos destinos do SCV com a mesma vontade e orgulho das últimas épocas. Esta direcção possui a espinha dorsal da anterior, mas tentámos incutir sangue novo, com muita juventude na casa dos 20 anos a integrar a nossa direcção. Estou bastante satisfeito e com a convicção de que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para bem do clube. Penso que estamos a criar bases suficientemente sólidas para que o SCV saiba escolher os caminhos certos para caminhar.

SCV: Fazendo uma ligeira retrospectiva de todos estes anos, qual foi a maior alegria que viveu, entre as muitas que certamente conheceu, enquanto dirigente do clube?
AO:
Claro que guardo na memória todos os momentos bons. No entanto, as maiores alegrias estão sempre relacionadas com aquilo que fazemos ao longo da época. Ou seja, quando chegamos ao fim do ano e vemos que realmente o nosso trabalho foi bom. Neste contexto, o meu primeiro ano de presidência do SCV foi fantástico e inesquecível. Ser campeão é uma forma de realização não só para o clube, mas também para todo o grupo de trabalho. É o corolário de muitos meses de sacrifício e dedicação a uma causa.
Mas, em contrapartida, foi muito frustrante não termos conseguido vencer o Desportivo Velense e assim desperdiçar o regresso à Série Açores.

SCV: Sendo você um dos mais jovens presidentes de clubes da região, e tendo a seu lado uma direcção em que a média de idades ronda os 23/24 anos, podemos afirmar que o futuro da colectividade está assegurado?
AO:
Quanto a ser um dos mais jovens presidentes de clubes, acho que quando existe vontade e gosto pela causa, a idade não conta. Realmente é bom para o clube e para a freguesia este sangue novo na minha direcção, porque é preciso pessoas com ideias novas e uma mentalidade diferente daquela a que o clube está habituado. Era preciso eliminar certos vícios. Mas como não sou nenhum “Pinto da Costa”, logo não sou eterno, e sei que existem muitas pessoas na freguesia com as mesmas capacidades para gerir o SCV.

SCV: Com as novas infra-estruturas, a única modalidade que o clube aposta volta a ser, simplesmente, o futebol?
AO:
O futebol é a imagem de marca da colectividade e, como em todas as modalidades, é preciso trabalho, porque formar uma ou outra equipa para certas modalidades até é fácil, o mais difícil é sustentá-la. Porém, temos um projecto para a formação de outra modalidade já esta época, mas prefiro não o revelar porque ainda não há certezas.

“Juventude poderá dar frutos”

SCV: Falando da época que se avizinha, quais são os objectivos, em termos do departamento de futebol sénior, para 2003/2004?
AO:
O objectivo é sempre o mesmo: fazer o melhor possível. E esse melhor passa, claro, por uma época melhor que a do ano passado. A nossa aposta este ano também passa por criar bases para o futuro. Neste sentido, apostámos mais numa equipa jovem e formada à base de ex-juniores, para além de alguns atletas experientes que já integravam o plantel. Agora, esperamos que os resultados correspondam às nossas expectativas.

SCV: Está neste plantel a base para atacar uma eventual subida de divisão a curto/médio prazo? Fala-se mesmo que o Vilanovense pode ser um outsider já na época que se avizinha.
AO:
Sinceramente, penso que com este plantel temos garantias para o futuro a médio prazo, porque possuímos uma equipa muito jovem, mas com uma mentalidade vencedora, atendendo a que a maior parte dos jovens adquiridos provém do Recreativo da Agualva e S. C. Praiense, equipas vencedoras de títulos em juniores “A” nas últimas épocas. Com um plantel bastante jovem, e muitos jogadores a terem a sua primeira oportunidade como sénior esta temporada, não podemos exigir demasiado, porque a inexperiência poderá jogar contra os atletas.

SCV: O SCV, a nível da formação, é, sem dúvida, um dos melhores viveiros do futebolistas nos Açores, casos de Álvaro, José Carlos, Serafim, Pimentel, e tantos outros. Mais recentemente, a nova geração oferece-nos nomes como, por exemplo, Vitória, Dário, Vítor, Márcio Fagundes e Francisco. Esta época o clube aposta nas camadas jovens?
AO:
Esta época, para além da equipa sénior, o SCV formará uma equipa de juniores “C”, porque o futebol é um dom das “gentes da Vila Nova”. O que é preciso é saber explorar este dom. Para isso, contamos com um técnico ambicioso, cujo nome ainda não posso revelar, e com vontade de formar novos “Álvaros” , “Serafins”, etc. Quem sabe, até um novo “Picanço”. Mas para isso há que contar com a colaboração dos pais, porque não é o futebol que faz com que os filhos chumbem o ano, antes pelo contrário, tira muita juventude da droga e dos malefícios da nossa sociedade.

“Era preciso uma nova mentalidade”

SCV: Voltando ao futebol sénior. Quais as razões para a sua direcção decidir apostar no treinador Joaquim de Jesus (Quim)?
AO:
A principal razão para a aposta no Quim, é o facto de ser um técnico que se enquadra perfeitamente no perfil que eu e a minha direcção idealizamos para ser o timoneiro da equipa sénior do SCV. O facto de ser um treinador jovem, ambicioso, com conhecimento do futebol jovem, e com créditos firmados no futebol terceirense, também pesou na nossa decisão. Enfim, só o futuro nos dirá se o Quim é, ou não, uma aposta ganha, mas, na minha opinião, penso que podemos tirar muitos dividendos dos serviços deste técnico.

A saída de Álvaro Mendonça - "Equipa estava viciada"

SCV: Álvaro Mendonça é um treinador ligado à história do SCV. As razões para a sua saída, já perto do fim da época transacta, nunca foram explicadas. Não quer revelar os seus argumentos?
AO:
Na minha opinião, o Álvaro Mendonça é um bom treinador, mas a equipa da época passada já estava “viciada” e era preciso eliminar certos vícios. Como tal, a direcção, que não sou só eu, chegou a acordo com o Álvaro Mendonça para a rescisão amigável. Como o nosso lema para esta época passa pela aposta na juventude, decidimos também incutir uma mentalidade diferente nos atletas do SCV. No entanto, essa aposta não passava por Álvaro Mendonça que, torno a frisar, é um dos bons técnicos terceirenses.

SCV: Em jeito de despedida, que mensagem quer deixar aos adeptos e simpatizantes do Sport Clube Vilanovense em particular e aos amantes do futebol de uma forma geral?
AO:
O apelo que gostava de enviar à massa associativa do Vilanovense, vai no sentido de não deixar de apoiar a equipa e o próprio clube. Desde há algum tempo a esta parte que temos vindo a fazer um grande esforço para manter este clube com as portas abertas. Felizmente, a partir de agora, o SCV possui infra-estruturas excelentes e penso que os sócios têm a possibilidade de estar mais perto da equipa. Inclusive, creio que será mais fácil encontrar direcção para os próximos anos. O que peço é que as pessoas não deixem de nos ajudar e que apareçam nos campos para apoiar a nossa equipa, quer nas vitórias, quer nas derrotas. Estejam connosco neste trabalho, pois julgo que o mesmo é válido e que dentro de algum tempo produzirá os seus frutos.
 
* Públicado no Diário-Insular, em 8 Setembro de 2003